Tutorial

Como instalar e configurar um servidor OpenVPN no CentOS 8

Published on May 1, 2020
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Como instalar e configurar um servidor OpenVPN no CentOS 8

Introdução

Uma Virtual Private Network (VPN) permite que você atravesse redes não confiáveis como se estivesse em uma rede privada. Ela dá a você a liberdade de acessar a internet com segurança no seu smartphone ou notebook ao se conectar a uma rede não confiável, como o wi-fi em um hotel ou café.

Quando combinado com conexões HTTPS, esta configuração permite que você proteja seus logins e transações sem fio. Você pode contornar restrições geográficas e de censura, e proteger seu local e qualquer tráfego HTTP não criptografado de redes não confiáveis.

O OpenVPN é uma solução VPN do tipo Transport Layer Security (TLS) repleta de recursos e de código aberto que acomoda uma ampla variedade de configurações. Neste tutorial, você instalará o OpenVPN em um servidor CentOS 8. Em seguida, irá configurá-lo para que fique acessível de uma máquina de cliente.

Nota: se você planeja configurar um servidor OpenVPN em um Droplet da DigitalOcean, saiba que, como muitos fornecedores de hospedagem, cobramos pelo excedente de largura de banda. Por este motivo, tenha cuidado acerca de quanto tráfego seu servidor processa.

Veja esta página para maiores informações.

Pré-requisitos

Para seguir este tutorial, você vai precisar do seguinte:

Nota: embora seja tecnicamente possível usar seu Servidor OpenVPN ou sua máquina local como sua CA, isso não é recomendável, pois abre sua VPN para algumas vulnerabilidades de segurança. Baseando-se na documentação oficial do OpenVPN, você deve colocar sua CA em uma máquina autônoma que seja dedicada a importar e assinar pedidos de certificado. Por isso, este guia supõe que seu CA esteja em um servidor CentOS 8 separado que também tenha um usuário não root com privilégios sudo e um firewall básico habilitado.

Além disso, você precisará de uma máquina de cliente que usará para se conectar ao seu Servidor OpenVPN. Neste guia, chamaremos isso de Cliente OpenVPN. Para os fins deste tutorial, é recomendável que você use sua máquina local como o cliente OpenVPN.

Com esses pré-requisitos cumpridos, você está pronto para começar a instalar e configurar um Servidor OpenVPN no CentOS 8.

Nota: note que, caso desative a autenticação por senha enquanto estiver configurando esses servidores, você pode ter dificuldades ao transferir arquivos entre eles mais tarde neste guia. Para resolver este problema, você pode reativar a autenticação por senha em cada servidor. Como alternativa, você poderia gerar um par de chaves SSH para cada servidor, então adicionar a chave SSH pública do servidor OpenVPN no arquivo CA authorized_keys da máquina e vice-versa. Veja Como configurar as chaves SSH no CentOS 8 para instruções sobre como utilizar qualquer uma dessas soluções.

Passo 1 — Instalando o OpenVPN e o Easy-RSA

O primeiro passo neste tutorial é instalar o OpenVPN e o Easy-RSA. O Easy-RSA é uma ferramenta de gerenciamento de infraestrutura de chaves públicas (PKI, do inglês Public Key Infrastructure) que você usará no Servidor OpenVPN para gerar uma solicitação de certificado que você irá verificar e assinar no Servidor CA.

Apesar disso, o OpenVPN e o Easy-RSA não estão disponíveis por padrão no CentOS 8. Sendo assim, você precisará habilitar o repositório dos Pacotes extras para o Linux empresarial (EPEL, do inglês Extra Packages for Enteprise Linux). O EPEL é gerenciado pelo Projeto Fedora e contém pacotes não padronizados, mas populares para o Fedora, CentOS e outras distribuições do Linux que usam o formato RPM de pacotes. Faça login no seu Servidor OpenVPN com o usuário sudo não raiz que você criou durante os passos de configuração inicial e execute o seguinte:

  1. sudo dnf install epel-release
  2. sudo dnf install openvpn easy-rsa

Em seguida, você precisará criar um novo diretório no Servidor OpenVPN com o usuário não raiz chamado ~/easy-rsa:

  1. mkdir ~/easy-rsa

Agora, você precisará criar um link simbólico do script easyrsa, que o pacote instalou, para o diretório ~/easy-rsa que você acabou de criar:

  1. ln -s /usr/share/easy-rsa/3/* ~/easy-rsa/

Nota: embora outros guias possam instruí-lo a copiar os arquivos de pacotes do easy-rsa para o seu diretório PKI, este tutorial adota uma abordagem com links simbólicos. Como resultado, todas as atualizações realizadas no pacote easy-rsa serão refletidas automaticamente nos scripts do seu PKI.

Por fim, garanta que o proprietário do diretório seja seu usuário sudo não raiz e restrinja o acesso a esse usuário usando o chmod:

  1. sudo chown sammy ~/easy-rsa
  2. chmod 700 ~/easy-rsa

Assim que esses programas forem instalados e tiverem sido transferidos para os locais certos em seu sistema, o próximo passo será criar uma infraestrutura de chaves públicas (PKI) no servidor OpenVPN. Dessa forma, você poderá solicitar e gerenciar certificados TLS para os clientes e outros servidores que se conectarão à sua VPN.

Passo 2 — Criando uma PKI para o OpenVPN

Antes de criar a chave privada e certificado do seu servidor OpenVPN, você precisa criar um diretório local da infraestrutura de chaves públicas nele. Você usará este diretório para gerenciar as solicitações de certificado do servidor e dos clientes, ao invés de criá-las diretamente em seu servidor CA.

Para criar um diretório PKI em seu servidor OpenVPN, você precisará preencher um arquivo chamado vars com alguns valores padrão. Primeiro, você usará o cd para entrar no diretório do easy-rsa. Depois disso, criará e editará o arquivo vars com o editor de texto de sua preferência.

O editor de texto padrão que vem com o CentOS 8 é o vi. O vi é um editor de texto extremamente eficaz, mas pode ser um pouco tedioso para os usuários sem experiência com ele. Talvez você queira instalar um editor mais fácil de usar como o nano, para facilitar a edição de arquivos de configuração no seu servidor CentOS 8:

  1. sudo dnf install nano

Quando você for solicitado a instalar o nano, digite y para continuar com os passos de instalação. Agora, está pronto para editar o arquivo vars:

  1. cd ~/easy-rsa
  2. nano vars

Assim que o arquivo for aberto, cole as duas linhas a seguir:

~/easy-rsa/vars
set_var EASYRSA_ALGO "ec"
set_var EASYRSA_DIGEST "sha512"

Essas linhas garantirão que as suas chaves privadas e solicitações de certificado estejam configuradas para usar uma Criptografia de curva elíptica (ECC, do inglês Elliptic Curve Cryptography) moderna, para gerar chaves e assinaturas seguras para seus clientes e seu servidor OpenVPN.

Configurar seus servidores OpenVPN e CA para usar o ECC significa que, quando um cliente e o servidor tentam estabelecer uma chave simétrica compartilhada, eles podem usar os algoritmos de curva elíptica para fazer a troca. Usar o ECC para uma troca de chaves é significativamente mais rápido do que usar Diffie-Hellman simples com o algoritmo RSA clássico, pois os números são muito menores e os cálculos mais rápidos.

Contexto: quando os clientes se conectam ao OpenVPN, eles usam uma criptografia assimétrica (também conhecida como a chave pública/privada) para realizarem um aperto de mão TLS. No entanto, ao transmitir o tráfego VPN criptografado, o servidor e os clientes usam a criptografia simétrica, que também é conhecida como criptografia de chaves compartilhadas.

Há muito menos necessidade de poder computacional com uma criptografia simétrica, em comparação com a assimétrico: os números usados são muito menores e as CPUs modernas integram instruções para realizar operações de criptografia simétricas otimizadas. Para mudar de uma criptografia assimétrica para uma uma criptografia simétrica, o servidor OpenVPN e o cliente usarão o algoritmo Curva elíptica Diffie-Hellman (ECDH, do inglês Elliptic Curve Diffie-Hellman) para concordar com uma chave secreta compartilhada o mais rápido possível.

Assim que tiver preenchido o arquivo vars, você pode continuar para a criação do diretório da PKI. Para fazer isso, execute o script easyrsa com a opção init-pki. Embora já tenha executado este comando no servidor CA como parte dos pré-requisitos, é necessário executá-lo aqui. Isso se dá, pois seu servidor OpenVPN e servidor CA possuem diretórios da PKI separados:

  1. ./easyrsa init-pki

Note que, em seu servidor OpenVPN, não há necessidade de criar uma autoridade de certificação. Seu servidor CA é o único responsável por validar e assinar certificados. A PKI em seu servidor VPN é usado apenas como um lugar conveniente e centralizado para armazenar solicitações de certificado e certificados públicos.

Após inicializar sua PKI no servidor OpenVPN, você está pronto para continuar para o próximo passo, que é a criação de uma solicitação de certificado e uma chave privada do servidor OpenVPN.

Passo 3 — Criando uma solicitação de certificado e chave privada do Servidor OpenVPN

Agora que seu servidor OpenVPN possui todos os pré-requisitos instalados, o próximo passo é gerar uma chave privada e uma Solicitação de assinatura de certificado (CSR, do inglês Certificate Signing Request) em seu servidor OpenVPN. Após isso, você irá transferir a solicitação para a sua CA para que seja assinada, criando o certificado necessário. Assim que tiver um certificado assinado, você irá transferi-lo de volta para o servidor OpenVPN e instalá-lo para que o servidor o use.

Para começar, vá para o diretório ~/easy-rsa em seu Servidor OpenVPN, com o seu usuário não raiz:

  1. cd ~/easy-rsa

Agora, você irá chamar o easyrsa com a opção gen-req, seguido de um Nome comum (CN, do inglês Common Name) para a máquina. O CN pode ser o que você quiser, mas escolher um nome mais descritivo pode ser útil. Ao longo deste tutorial, o CN do Servidor OpenVPN será server. Certifique-se de incluir também a opção nopass. Se não fizer isso, o arquivo solicitado será protegido por senha, o que pode levar a problemas de permissão mais tarde.

Nota: se escolher um nome que não seja server, você terá que ajustar algumas das instruções abaixo. Por exemplo, quando copiar os arquivos gerados para o diretório /etc/openvpn, terá que substituir os nomes corretos. Você também terá que modificar o arquivo /etc/openvpn/server.conf mais tarde para que aponte aos arquivos .crt e .key corretos.

  1. ./easyrsa gen-req server nopass
Output
Common Name (eg: your user, host, or server name) [server]: Keypair and certificate request completed. Your files are: req: /home/sammy/easy-rsa/pki/reqs/server.req key: /home/sammy/easy-rsa/pki/private/server.key

Isso criará uma chave privada para o servidor e um arquivo de pedido de certificado chamado server.req. Copie a chave do servidor para o diretório /etc/openvpn/server:

  1. sudo cp /home/sammy/easy-rsa/pki/private/server.key /etc/openvpn/server/

Após completar esses passos, você criou uma chave privada para seu servidor OpenVPN com sucesso. Você também gerou uma solicitação de assinatura de certificado para o servidor OpenVPN. A CSR agora está pronta para assinar por sua CA. Na próxima seção deste tutorial, você aprenderá como assinar uma CSR com a chave privada do seu servidor CA.

Passo 4 — Assinando a solicitação de certificado do Servidor OpenVPN

No passo anterior, você criou uma solicitação de assinatura de certificado (CSR) e uma chave privada para o servidor OpenVPN. Agora, o servidor CA precisa saber sobre o certificado server e validá-lo. Assim que a CA valida e devolve o certificado para o servidor OpenVPN, os clientes que confiam em sua CA também poderão confiar no servidor OpenVPN.

No servidor OpenVPN, com seu usuário não raiz, use o SCP ou outro método de transferência para copiar a solicitação de certificado server.req para o servidor CA, de forma a assiná-la:

  1. scp /home/sammy/easy-rsa/pki/reqs/server.req sammy@your_ca_server_ip:/tmp

Agora, faça login no servidor CA com o usuário não raiz que possui o diretório easy-rsa, onde você criou sua PKI. Importe a solicitação de certificado usando o script easyrsa:

  1. cd ~/easy-rsa
  2. ./easyrsa import-req /tmp/server.req server
Output
. . . The request has been successfully imported with a short name of: server You may now use this name to perform signing operations on this request.

Em seguida, assine o pedido executando o script easyrsa com a opção sign-req, seguida do tipo de pedido e do nome comum. O tipo de solicitação pode ser client ou server. Como estamos trabalhando com a solicitação de certificado do servidor OpenVPN, certifique-se de usar o tipo de solicitação server:

  1. ./easyrsa sign-req server server

No resultado, você será solicitado a verificar se o pedido vem de uma fonte confiável. Digite yes, e então pressione ENTER para confirmar:

Output
You are about to sign the following certificate. Please check over the details shown below for accuracy. Note that this request has not been cryptographically verified. Please be sure it came from a trusted source or that you have verified the request checksum with the sender. Request subject, to be signed as a server certificate for 3650 days: subject= commonName = server Type the word 'yes' to continue, or any other input to abort. Confirm request details: yes . . . Certificate created at: /home/sammy/easy-rsa/pki/issued/server.crt

Note que, caso tenha criptografado sua chave privada CA, você será solicitado a colocar sua senha neste ponto.

Com esses passos completos, você assinou a solicitação de certificado do servidor OpenVPN usando a chave privada do servidor CA. O arquivo server.crt resultante contém a chave pública de criptografia do servidor OpenVPN, além de uma nova assinatura do servidor CA. O motivo da assinatura é dizer a todos que confiam no servidor CA que eles também podem confiar no servidor OpenVPN quando se conectarem a ele.

Para terminar de configurar os certificados, copie os arquivos server.crt e ca.crt do servidor CA para o servidor OpenVPN:

  1. scp pki/issued/server.crt sammy@your_vpn_server_ip:/tmp
  2. scp pki/ca.crt sammy@your_vpn_server_ip:/tmp

Agora, já de volta no seu servidor OpenVPN, copie os arquivos de /tmp para /etc/openvpn/server:

  1. sudo cp /tmp/{server.crt,ca.crt} /etc/openvpn/server

Agora, seu servidor OpenVPN está quase pronto para aceitar as conexões. No próximo passo, você irá executar algumas etapas adicionais para aumentar a segurança do servidor.

Passo 5 — Configurando o material criptográfico do OpenVPN

Para criar uma camada de segurança adicional, adicionaremos uma chave secreta extra compartilhada que o servidor e todos os clientes usarão com a diretiva tls-crypt do OpenVPN. Essa opção é usada para ofuscar o certificado TLS que é usado quando um servidor e um cliente se conectam entre si inicialmente. Ele também é usado pelo servidor OpenVPN para realizar verificações rápidas nos pacotes de entrada: se um pacote for assinado usando a chave pré-compartilhada, então o servidor o processa; se não for assinado, então o servidor sabe que vem de uma fonte não confiável e pode descartá-lo sem ter que realizar trabalho de descriptografia adicional.

Essa opção ajudará a garantir que seu servidor OpenVPN seja capaz de lidar com tráfego não autenticado, varreduras de porta e ataques de negação de serviço, que podem amarrar recursos do servidor. Ela também torna mais difícil identificar o tráfego de rede do OpenVPN.

Para gerar a chave tls-crypt pré-compartilhada, execute o que vem a seguir no servidor OpenVPN, no diretório ~/easy-rsa:

  1. cd ~/easy-rsa
  2. openvpn --genkey --secret ta.key

O resultado será um arquivo chamado ta.key. Copie-o para o diretório /etc/openvpn/server/:

  1. sudo cp ta.key /etc/openvpn/server

Com esses arquivos instalados no servidor OpenVPN, você está pronto para criar certificados de cliente e arquivos de chave para seus usuários, que você usará para se conectar à VPN.

Passo 6 — Gerando um certificado de cliente e um par de chaves

Embora você possa gerar uma chave privada e um pedido de certificado na sua máquina de cliente e então enviá-la para a CA para ser assinada, este guia define um processo para gerar a solicitação de certificado no servidor OpenVPN. O benefício dessa abordagem é que podemos criar um script que irá gerar automaticamente arquivos de configuração do cliente que contêm todas as chaves e certificados necessários. Isso permite que você evite ter que transferir chaves, certificados e arquivos de configuração para clientes e simplifica o processo de conexão ao VPN.

Vamos gerar um único par, chave de cliente e certificado, para este guia. Se tiver mais de um cliente, você pode repetir este processo para cada um deles. Note, porém, que você precisará passar um valor de nome único ao script para cada cliente. Ao longo deste tutorial, o primeiro par de certificado/chave é chamado de client1.

Inicie criando uma estrutura de diretório dentro do seu diretório home para armazenar os arquivos de certificado de cliente e de chave:

  1. mkdir -p ~/client-configs/keys

Como irá armazenar os pares de certificado/chave e arquivos de configuração dos seus clientes neste diretório, você deve bloquear suas permissões agora, como uma medida de segurança:

  1. chmod -R 700 ~/client-configs

Em seguida, navegue até o diretório do EasyRSA e execute o script easyrsa com as opções gen-req e nopass, junto com o nome comum para o cliente:

  1. cd ~/easy-rsa
  2. ./easyrsa gen-req client1 nopass

Pressione ENTER para confirmar o nome comum. Então, copie o arquivo client1.key para o diretório ~/client-configs/keys/ que você criou mais cedo:

  1. cp pki/private/client1.key ~/client-configs/keys/

Em seguida, transfira o arquivo client1.req para seu Servidor CA usando um método seguro:

  1. scp pki/reqs/client1.req sammy@your_ca_server_ip:/tmp

Agora, faça login no seu Servidor CA. Em seguida, vá para o diretório do EasyRSA e importe a solicitação de certificado:

  1. cd ~/easy-rsa
  2. ./easyrsa import-req /tmp/client1.req client1

Então, assine a solicitação da mesma forma como fez para o servidor no passo anterior. Desta vez, certifique-se de especificar o tipo de pedido do client:

  1. ./easyrsa sign-req client client1

Quando solicitado, digite yes para confirmar que você pretende assinar o pedido de certificado e que ele veio de uma fonte confiável:

Output
Type the word 'yes' to continue, or any other input to abort. Confirm request details: yes

Novamente, caso tenha criptografado sua chave CA, você será solicitado a colocar sua senha aqui.

Isso criará um arquivo de certificado de cliente chamado client1.crt. Transfira este arquivo de volta para o servidor:

  1. scp pki/issued/client1.crt sammy@your_server_ip:/tmp

De volta no seu servidor OpenVPN, copie o certificado do cliente para o diretório ~/client-configs/keys/:

  1. cp /tmp/client1.crt ~/client-configs/keys/

Em seguida, copie também os arquivos ca.crt e ta.key para o diretório ~/client-configs/keys/, e defina as permissões apropriadas para o seu usuário sudo:

  1. cp ~/easy-rsa/ta.key ~/client-configs/keys/
  2. sudo cp /etc/openvpn/server/ca.crt ~/client-configs/keys/
  3. sudo chown sammy.sammy ~/client-configs/keys/*

Com isso, todos os certificados e chaves do seu servidor e do seu cliente foram gerados e estão armazenados nos diretórios apropriados do seu servidor OpenVPN. Ainda existem algumas ações que precisam ser feitas com esses arquivos, mas elas aparecerão em um passo mais adiante. Por enquanto, você pode prosseguir para a configuração do OpenVPN.

Passo 7 — Configurando o OpenVPN

Assim como muitas outras ferramentas que são amplamente usadas, o OpenVPN possui várias opções de configuração disponíveis para personalizar seu servidor para as suas necessidades específicas. Nesta seção, forneceremos instruções sobre como instalar uma configuração do servidor OpenVPN com base em um dos arquivos de configuração da amostra que é incluído na documentação deste software.

Primeiro, copie o arquivo de amostra server.conf como um ponto de partida para seu próprio arquivo de configuração:

  1. sudo cp /usr/share/doc/openvpn/sample/sample-config-files/server.conf /etc/openvpn/server/

Abra o novo arquivo para edição com o editor de texto da sua escolha. Usaremos o nano em nosso exemplo:

  1. sudo nano /etc/openvpn/server/server.conf

Vamos precisar alterar algumas linhas neste arquivo. Primeiro, encontre a seção HMAC da configuração, procurando pela diretiva tls-auth. Essa linha deve ser descomentada. Transforme-a em comentário adicionando um ; no início da linha. Então, adicione uma linha nova após ela, contendo apenas o valor tls-crypt ta.key:

/etc/openvpn/server.conf
;tls-auth ta.key 0 # This file is secret
tls-crypt ta.key

Em seguida, encontre a seção sobre cifras criptográficas, procurando pelas linhas cipher. O valor padrão é definido como AES-256-CBC. No entanto, a criptografia AES-256-GCM oferece um melhor nível de criptografia, desempenho é compatível com os clientes do OpenVPN atualizados. Vamos transformar em comentário o valor padrão adicionando um sinal ; no início dessa linha. Em seguida, adicionaremos outra linha após ela, contendo o valor atualizado de AES-256-GCM:

/etc/openvpn/server.conf
;cipher AES-256-CBC
cipher AES-256-GCM

Logo após essa linha, adicione uma diretiva auth para selecionar o algoritmo digest HMAC de mensagem. Para fazer isso, o SHA256 é uma boa escolha:

/etc/openvpn/server.conf
auth SHA256

Em seguida, encontre a linha que contém uma diretiva dh, que define os parâmetros Diffie-Hellman. Como configuramos todos os certificados para usar a criptografia de curva elípticado, um arquivo de semente Diffie-Hellman não é necessário. Transforme em comentário a linha existente que se parece com dh dh2048.pem ou dh dh.pem. O nome do arquivo para a chave Diffie-Hellman pode ser diferente do que está listado no arquivo de configuração do servidor de exemplo. Então, adicione uma linha após ela com o conteúdo dh none:

/etc/openvpn/server.conf
;dh dh2048.pem
dh none

Como queremos que o OpenVPN seja executado sem privilégios assim que for iniciado, precisamos dizer a ele, em seguida, para ser executado com um usuário e um grupo de ninguém. Para habilitar isso, encontre e descomente o user nobody e o group nobody, removendo o sinal ; do início de cada linha:

/etc/openvpn/server.conf
user nobody
group nobody

(Opcional) Forçar alterações no DNS para redirecionar todo o tráfego através do VPN

As configurações acima criarão a conexão VPN entre seu cliente e servidor, mas não forçarão nenhuma conexão a usar o túnel. Se quiser usar o VPN para rotear todo o seu tráfego de cliente pela VPN, você provavelmente irá querer forçar algumas configurações DNS extras para os computadores do cliente.

Para começar, encontre e descomente a linha que contém push "redirect-gateway def1 bypass-dhcp". Ao fazer isso, você dirá ao seu cliente para redirecionar todo o tráfego dele através do seu Servidor OpenVPN. Esteja ciente de que habilitar esta funcionalidade pode causar problemas de conectividade com outros serviços de rede, como o SSH:

/etc/openvpn/server.conf
push "redirect-gateway def1 bypass-dhcp"

Logo abaixo desta linha, encontre a seção dhcp-option. Novamente, remova o “;” do início de ambas as linhas para descomentá-las:

/etc/openvpn/server.conf
push "dhcp-option DNS 208.67.222.222"
push "dhcp-option DNS 208.67.220.220"

Essas linhas dirão ao seu cliente para usar os resolvedores de OpenDNS gratuitos nos endereços IP listados. Se preferir outros resolvedores de DNS, você pode substituí-los no lugar dos IPs destacados.

Isso ajudará os clientes a reconfigurar suas configurações de DNS, para que usem o túnel VPN como gateway padrão.

(Opcional) Ajustar a porta e o protocolo

Por padrão, o servidor OpenVPN usa a porta 1194 e o protocolo UDP para aceitar conexões de clientes. Se precisar usar uma porta diferente, devido a ambientes de rede restritivos em que seus clientes possam estar, você pode alterar a opção port. Se não estiver hospedando conteúdo Web no seu servidor OpenVPN, a porta 443 é uma escolha popular, uma vez que ela é geralmente permitida em de regras de firewall.

Para alterar o OpenVPN para escutar na porta 443, abra o arquivo server.conf e encontre a linha que se parece com esta:

/etc/openvpn/server.conf
port 1194

Edite-a, de forma que a porta seja 443:

/etc/openvpn/server.conf
# Optional!
port 443

Geralmente, o protocolo também é restrito a essa porta. Se assim for, encontre a linha proto abaixo da linha port e mude o protocolo de udp para tcp:

/etc/openvpn/server.conf
# Optional!
proto tcp

Se você de fato mudar o protocolo para o TCP, precisará alterar o valor explicit-exit-notify da diretriz de 1 para 0, já que essa diretriz é usada apenas pelo UDP. Não fazer isso ao usar o TCP irá causar erros quando você iniciar o serviço OpenVPN:

Encontre a linha explicit-exit-notify no final do arquivo e mude o valor para 0:

/etc/openvpn/server.conf
# Optional!
explicit-exit-notify 0

Se não tiver necessidade de usar uma porta e protocolos diferentes, é melhor deixar essas opções inalteradas.

(Opcional) Apontar para credenciais não padrão

Se você selecionou um nome diferente durante o comando ./easyrsa gen-req server mais cedo, modifique as linhas cert e key no arquivo de configuração server.conf para que elas apontem para os arquivos .crt e .key apropriados. Se você usou o nome padrão, server, isso tudo já está configurado corretamente:

/etc/openvpn/server.conf
cert server.crt
key server.key

Quando você terminar, salve e feche o arquivo.

Agora, você terminou de configurar suas configurações gerais do OpenVPN. No próximo passo, vamos personalizar as opções de rede do servidor.

Passo 8 — Ajustando a configuração da rede do Servidor OpenVPN

Existem alguns aspectos da configuração de rede do servidor que precisam ser ajustados para que o OpenVPN possa rotear corretamente o tráfego pela VPN. O primeiro desses é o encaminhamento de IP, um método para determinar onde o tráfego de IP deve ser roteado. Isso é essencial para a funcionalidade VPN que seu servidor irá fornecer.

Para ajustar a configuração padrão de encaminhamento de IP do seu servidor OpenVPN, abra o arquivo /etc/sysctl.conf usando o nano ou seu editor preferido:

  1. sudo nano /etc/sysctl.conf

Então, adicione o seguinte código no topo do arquivo:

/etc/sysctl.conf
net.ipv4.ip_forward = 1

Salve e feche o arquivo quando você terminar.

Para ler o arquivo e carregar os novos valores para a sessão atual, digite:

  1. sudo sysctl -p
Output
net.ipv4.ip_forward = 1

Agora, seu servidor OpenVPN será capaz de encaminhar o tráfico de entrada de um dispositivo Ethernet para outro. Essa configuração garante que o servidor possa direcionar o tráfego de clientes que se conectam na interface VPN virtual através de seus outros dispositivos Ethernet físicos. Essa configuração irá rotear todo o tráfego Web do seu cliente através do endereço IP do seu servidor, e o endereço IP público do seu cliente ficará efetivamente escondido.

No próximo passo, você precisará configurar algumas regras de firewall para garantir que o tráfego de entrada e saída do seu servidor OpenVPN flua corretamente.

Passo 9 — Configuração do firewall

Até agora, você instalou o OpenVPN em seu servidor, configurou-o e gerou as chaves e certificados necessários para que seu cliente acesse a VPN. No entanto, você ainda não providenciou ao OpenVPN nenhuma instrução sobre onde enviar o tráfego Web de entrada de usuários. Você pode estipular como o servidor deve lidar com o tráfego de clientes estabelecendo algumas regras de firewall e configurações de roteamento.

Supondo que você tenha seguido os pré-requisitos no início deste tutorial, você já deve ter o firewalld instalado e em funcionamento no seu servidor. Para permitir que o OpenVPN atravesse o firewall, você precisará saber qual é a sua zona ativa do firewalld. Encontre isso com o seguinte comando:

  1. sudo firewall-cmd --get-active-zones
Output
public Interfaces: eth0

Se você não ver uma zona trusted (de confiança) que lista a interface tun0, execute os comandos a seguir para adicionar o dispositivo VPN àquela zona:

  1. sudo firewall-cmd --zone=trusted --add-interface=tun0
  2. sudo firewall-cmd --permanent --zone=trusted --add-interface=tun0

Em seguida, adicione o serviço openvpn à lista de serviços permitidos pelo firewalld dentro da sua zona ativa, e então torne essa definição permanente executando o comando novamente, mas com a adição da opção --permanent:

  1. sudo firewall-cmd --permanent --add-service openvpn
  2. sudo firewall-cmd --permanent --zone=trusted --add-service openvpn

Para aplicar as alterações no firewall, execute:

  1. sudo firewall-cmd --reload

Agora, você pode verificar se o serviço foi adicionado corretamente com o seguinte comando:

  1. sudo firewall-cmd --list-services --zone=trusted
Output
openvpn

Em seguida, adicionaremos uma regra de mascaramento ao firewall. O mascaramento permite que seu servidor OpenVPN traduza os endereços de seus clientes OpenVPN para o endereço público do seu próprio servidor. Em seguida, ele faz o inverso com o tráfego que é enviado de volta para os clientes. Esse processo também é conhecido como Tradução de endereço de rede (NAT, do inglês Network Address Translation).

Adicione as regras de mascaramento com os comandos a seguir:

  1. sudo firewall-cmd --add-masquerade
  2. sudo firewall-cmd --add-masquerade --permanent

Verifique se o mascaramento foi adicionado corretamente com este comando:

  1. sudo firewall-cmd --query-masquerade
Output
yes

Em seguida, você precisará criar a regra de mascaramento específica exclusivamente para a subrede do seu OpenVPN. Você pode fazer isso criando primeiro uma variável shell (DEVICE, em nosso exemplo) que irá representar a interface de rede primária utilizada pelo seu servidor e, em seguida, usando essa variável para adicionar a regra de roteamento permanentemente:

  1. DEVICE=$(ip route | awk '/^default via/ {print $5}')
  2. sudo firewall-cmd --permanent --direct --passthrough ipv4 -t nat -A POSTROUTING -s 10.8.0.0/24 -o $DEVICE -j MASQUERADE

Certifique-se de recarregar o firewalld para que todas as suas alterações entrem em vigor:

  1. sudo firewall-cmd --reload

Os comandos com o sinalizador --permanent garante que as regras persistirão após reinicializações. O comando firewall-cmd --reload garante que todas as alterações pendentes no firewall sejam aplicadas. Com as regras do firewall instaladas, podemos inicializar o serviço OpenVPN no servidor.

Passo 10 — Inicializando o OpenVPN

O OpenVPN funciona como um serviço systemd. Dessa forma, podemos usar o systemctl para gerenciá-lo. Vamos configurar o OpenVPN para iniciar na inicialização do sistema, para que você possa se conectar à sua VPN a qualquer momento, contanto que seu servidor esteja em execução. Para fazer isso, habilite o serviço OpenVPN, adicionando-o ao systemctl:

  1. sudo systemctl -f enable openvpn-server@server.service

Em seguida, inicie o serviço OpenVPN:

  1. sudo systemctl start openvpn-server@server.service

Verifique novamente se o serviço OpenVPN está ativo com o seguinte comando: Você deve ver active (running) no resultado:

  1. sudo systemctl status openvpn-server@server.service
Output
● openvpn-server@server.service - OpenVPN service for server Loaded: loaded (/usr/lib/systemd/system/openvpn-server@.service; enabled; vendor preset: disabled) Active: active (running) since Tue 2020-04-07 02:32:07 UTC; 1min 52s ago Docs: man:openvpn(8) https://community.openvpn.net/openvpn/wiki/Openvpn24ManPage https://community.openvpn.net/openvpn/wiki/HOWTO Main PID: 15868 (openvpn) Status: "Initialization Sequence Completed" Tasks: 1 (limit: 5059) Memory: 1.2M CGroup: /system.slice/system-openvpn\x2dserver.slice/openvpn-server@server.service └─15868 /usr/sbin/openvpn --status /run/openvpn-server/status-server.log --status-version 2 --suppress-timestamps --cipher AES-256-GCM --ncp-ciphers AES-256-GCM:AES-128-GCM:AES-256-CBC:AES-128-CBC:BF-CBC --config server.conf . . .

Agora, completamos a configuração na parte do servidor para o OpenVPN. Em seguida, você irá configurar sua máquina de cliente e se conectar ao Servidor OpenVPN.

Passo 11 — Criando a infraestrutura de configuração de clientes

Criar arquivos de configuração para os clientes OpenVPN pode ser um desafio, já que cada cliente deve ter sua própria configuração e cada um deve se alinhar com as configurações descritas no arquivo de configuração do servidor. Ao invés de escrever um único arquivo de configuração que só pode ser usado para um cliente, este passo define um processo para a construção de uma infraestrutura de configuração de clientes que você pode usar para gerar arquivos de configuração imediatamente. Você criará primeiro um arquivo de configuração “base” e então construirá um script que permitirá que você gere arquivos únicos de configuração de clientes, certificados e chaves conforme necessário.

Comece criando um novo diretório onde você irá armazenar arquivos de configuração de clientes no diretório client-configs que você criou mais cedo:

  1. mkdir -p ~/client-configs/files

Em seguida, copie um arquivo de configuração de cliente exemplo para o diretório client-configs para usá-lo como sua configuração base:

  1. cp /usr/share/doc/openvpn/sample/sample-config-files/client.conf ~/client-configs/base.conf

Abra esse novo arquivo usando o nano ou seu editor de texto preferido:

  1. nano ~/client-configs/base.conf

Dentro, localize a diretriz remote. Isso aponta o cliente para seu endereço de servidor OpenVPN — o endereço IP público do seu servidor OpenVPN. Caso tenha decidido alterar a porta em que o servidor OpenVPN está escutando, também será preciso alterar a 1194 para a porta que você selecionou:

~/client-configs/base.conf
. . .
# The hostname/IP and port of the server.
# You can have multiple remote entries
# to load balance between the servers.
remote your_server_ip 1194
. . .

Certifique-se de que o protocolo corresponda ao valor que você está usando na configuração do servidor:

~/client-configs/base.conf
proto udp

Em seguida, descomente as diretivas user e group removendo o sinal “;” no começo de cada linha:

~/client-configs/base.conf
# Downgrade privileges after initialization (non-Windows only)
user nobody
group nobody

Encontre as diretrizes que definem ca, cert e key. Comente essas diretrizes, já que você adicionará os certificados e chaves dentro do arquivo em si em breve:

~/client-configs/base.conf
# SSL/TLS parms.
# See the server config file for more
# description. It's best to use
# a separate .crt/.key file pair
# for each client. A single ca
# file can be used for all clients.
;ca ca.crt
;cert client.crt
;key client.key

De maneira similar, transforme em comentário a diretiva tls-auth, pois você adicionará a ta.key diretamente no arquivo de configuração do cliente (e o servidor é configurado para usar o tls-crypt):

~/client-configs/base.conf
# If a tls-auth key is used on the server
# then every client must also have the key.
;tls-auth ta.key 1

Espelhe as configurações cipher e auth que você definiu no arquivo /etc/openvpn/server/server.conf:

~/client-configs/base.conf
cipher AES-256-GCM
auth SHA256

Em seguida, adicione a diretriz key-direction em algum lugar no arquivo. Você deve definir isso em “1” para que o VPN funcione corretamente na máquina do cliente:

~/client-configs/base.conf
key-direction 1

Por fim, adicione algumas linhas comentadas. Embora possa incluir essas diretrizes em todos os arquivos de configuração de clientes, você precisa habilitá-las para clientes Linux que acompanham um arquivo /etc/openvpn/update-resolv-conf. Este script usa o utilitário resolvconf para atualizar as informações DNS para clientes Linux.

~/client-configs/base.conf
; script-security 2
; up /etc/openvpn/update-resolv-conf
; down /etc/openvpn/update-resolv-conf

Se seu cliente estiver usando o Linux e tiver um arquivo /etc/openvpn/update-resolv-conf, descomente essas linhas do arquivo de configuração do cliente após terem sido geradas.

Salve e feche o arquivo quando você terminar.

Em seguida, vamos criar um script que irá compilar sua configuração base com os arquivos de certificado, chave e criptografia relevantes e então colocar a configuração gerada no diretório ~/client-configs/files. Abra um novo arquivo chamado make_config.sh dentro do diretório ~/client-configs:

  1. nano ~/client-configs/make_config.sh

Dentro, adicione o seguinte conteúdo:

~/client-configs/make_config.sh
#!/bin/bash

# First argument: Client identifier

KEY_DIR=~/client-configs/keys
OUTPUT_DIR=~/client-configs/files
BASE_CONFIG=~/client-configs/base.conf

cat ${BASE_CONFIG} \
<(echo -e '<ca>') \
${KEY_DIR}/ca.crt \
<(echo -e '</ca>\n<cert>') \
${KEY_DIR}/${1}.crt \
<(echo -e '</cert>\n<key>') \
${KEY_DIR}/${1}.key \
<(echo -e '</key>\n<tls-crypt>') \
${KEY_DIR}/ta.key \
<(echo -e '</tls-crypt>') \
> ${OUTPUT_DIR}/${1}.ovpn

Salve e feche o arquivo quando você terminar.

Antes de seguir em frente, certifique-se de marcar este arquivo como executável digitando:

  1. chmod 700 ~/client-configs/make_config.sh

Este script fará uma cópia do arquivo base.conf que você fez, coletará todos os arquivos de certificado e chave que você criou para seu cliente, extrairá os conteúdos deles, adicionará esse conteúdo à cópia do arquivo de configuração base e exportará tudo isso para um novo arquivo de configuração de clientes. Isso significa que, ao invés de ter que gerenciar os arquivos de configuração do cliente, certificado e chave separadamente, todas as informações necessárias são armazenadas em um só lugar. O benefício de usar este método é que, caso tenha necessidade de adicionar um cliente no futuro, você pode executar esse script para criar rapidamente um novo arquivo de configuração e garantir que todas as informações importantes sejam armazenadas em uma única localização de fácil acesso.

Note que, sempre que adicionar um novo cliente, você precisará gerar novas chaves e certificados para ele antes de executar este script e gerar seu arquivo de configuração. Você poderá praticar um pouco a utilização deste script no próximo passo.

Passo 12 — Gerando as configurações de clientes

Se acompanhou o guia, você criou um certificado e chave de cliente nomeados client1.crt e client1.key, respectivamente, no passo 6. É possível gerar um arquivo de configuração para essas credenciais entrando no seu diretório ~/client-configs e executando o script que você fez no final do passo anterior:

  1. cd ~/client-configs
  2. ./make_config.sh client1

Isso criará um arquivo chamado client1.ovpn no seu diretório ~/client-configs/files:

  1. ls ~/client-configs/files
Output
client1.ovpn

Você precisa transferir esse arquivo para o dispositivo que planeja usar como cliente. Por exemplo, este poderia ser seu computador local ou um dispositivo móvel.

Embora os aplicativos exatos usados para realizar essa transferência dependerão do sistema operacional do seu dispositivo e de suas preferências pessoais, um método confiável e seguro é usar o SFTP (protocolo SSH de transferência de arquivos) ou SCP (cópia segura) no backend. Isso transportará os arquivos de autenticação do VPN do seu cliente através de uma conexão criptografada.

Aqui está um exemplo de comando SFTP que você pode executar a partir do seu computador local (macOS ou Linux). Isso irá copiar o arquivo client1.ovpn que criamos no último passo para o seu diretório base:

  1. sftp sammy@openvpn_server_ip:client-configs/files/client1.ovpn ~/

Aqui estão diversas ferramentas e tutoriais para transferir arquivos com segurança do servidor OpenVPN para um computador local:

Passo 13 — Instalando a configuração do cliente

Esta seção aborda como instalar um perfil VPN de um cliente no Windows, macOS, Linux, iOS e Android. Nenhuma dessas instruções de cliente dependem uma da outra, então sinta-se a vontade para pular para alguma que seja aplicável ao seu dispositivo.

A conexão OpenVPN terá o mesmo nome que você chamou o arquivo .ovpn. No que diz respeito a este tutorial, isso significa que a conexão se chama client1.ovpn, de acordo com o primeiro arquivo de cliente que você gerou.

Windows

Instalando

Faça download do aplicativo do cliente OpenVPN para o Windows da página de download do OpenVPN. Escolha a versão do instalador apropriada para a sua versão do Windows.

Nota: o OpenVPN precisa de privilégios administrativos para ser instalado.

Após instalar o OpenVPN, copie o arquivo .ovpn para:

C:\Program Files\OpenVPN\config

Ao iniciar o OpenVPN, ele localizará o perfil e o disponibilizará automaticamente.

Você deve executar o OpenVPN como administrador sempre que ele é usado, mesmo por contas administrativas. Para fazer isso sem precisar clicar com o botão direito e selecionar Executar como administrador sempre que você usar o VPN, é necessário predefinir isso de uma conta administrativa. Isso significa que os usuários padrão também precisam digitar a senha do administrador para usar o OpenVPN. Por outro lado, os usuários padrão não conseguem se conectar devidamente ao servidor a não ser que o aplicativo OpenVPN no cliente tenha direitos de administrador, então são necessários privilégios elevados.

Para definir que o aplicativo OpenVPN sempre execute como administrador, clique com o botão direito no seu atalho e vá em Propriedades. No final da aba Compatibilidade, clique no botão para Mudar as configurações para todos os usuários. Na nova janela, marque Executar este programa como administrador.

Conectando

Cada vez que iniciar a OpenVPN GUI, o Windows irá perguntar se você quer permitir que o programa faça alterações no seu computador. Clique em Yes. Iniciar o aplicativo do cliente OpenVPN coloca apenas o applet na bandeja do sistema para que você possa conectar e desconectar o VPN conforme necessário; isso não cria de fato a conexão VPN.

Assim que o OpenVPN iniciar, inicie uma conexão entrando no applet da bandeja do sistema e clicando com o botão direito no ícone do applet do OpenVPN. Isso abre o menu de contexto. Selecione client1 no topo do menu (esse é seu perfil client1.ovpn) e escolha Connect.

Uma janela de status abrirá mostrando o registro de saída enquanto a conexão estiver estabelecida, e uma mensagem aparecerá assim que o cliente estiver conectado.

Desconecte-se do VPN da mesma maneira: Vá até o applet da bandeja do sistema, clique com o botão direito no ícone do applet do OpenVPN, selecione o perfil do cliente e clique em Disconnect.

macOS

Instalando

O Tunnelblick é um cliente OpenVPN gratuito e de código aberto para o macOS. Você pode baixar a imagem de disco mais recente da página de downloads do Tunnelblick. Clique duas vezes no arquivo baixado .dmg e siga os prompts para instalar.

Ao final do processo de instalação, o Tunnelblick irá perguntar se você tem algum arquivo de configuração. Responda I have configuration files e deixe o Tunnelblick terminar. Abra uma janela do Finder e clique duas vezes no client1.ovpn. O Tunnelblick instalará o perfil do cliente. São necessário privilégios administrativos.

Conectando

Inicie o Tunnelblick clicando duas vezes no ícone do Tunnelblick na pasta Applications. Assim que o Tunnelblick iniciar, haverá um ícone do Tunnelblick na barra do menu no canto superior direito da tela para controle de conexões. Clique no ícone e então no item do menu Connect client1 para iniciar a conexão VPN.

Linux

Instalando

Se estiver usando o Linux, existe uma variedade de ferramentas que você pode usar dependendo da sua distribuição. Seu ambiente do desktop ou gerenciador de janelas também pode incluir serviços de conexão.

Entretanto, o modo mais universal de se conectar é apenas usar o software OpenVPN.

No Ubuntu ou Debian, você pode instalá-lo assim como fez no servidor digitando:

  1. sudo apt update
  2. sudo apt install openvpn

No CentOS, você pode habilitar os repositórios EPEL e então instalá-lo digitando:

  1. sudo yum install epel-release
  2. sudo yum install openvpn

Configurando

Verifique se sua distribuição inclui um script /etc/openvpn/update-resolv-conf:

  1. ls /etc/openvpn
Output
update-resolv-conf

Em seguida, edite o arquivo de configuração do cliente OpenVPN que você transferiu:

  1. nano client1.ovpn

Se conseguir encontrar um arquivo update-resolv-conf, descomente as três linhas que você adicionou para ajustar as configurações DNS:

client1.ovpn
script-security 2
up /etc/openvpn/update-resolv-conf
down /etc/openvpn/update-resolv-conf

Se estiver usando o CentOS, altere a diretriz group de nogroup para nobody de forma a corresponder aos grupos disponíveis da distribuição:

client1.ovpn
group nobody

Salve e feche o arquivo.

Agora, você pode se conectar ao VPN apenas apontando o comando openvpn para o arquivo de configuração do cliente:

  1. sudo openvpn --config client1.ovpn

Isso deve conectar você ao seu VPN.

iOS

Instalando

A partir da App Store do iTunes, procure e instale o OpenVPN Connect, o aplicativo oficial do cliente iOS OpenVPN. Para transferir sua configuração do cliente iOS para o dispositivo, conecte-o diretamente a um computador.

O processo de completar a transferência com o iTunes é descrito aqui. Abra o iTunes no computador e clique em iPhone > apps. Role até o final da seção File Sharing e clique no app OpenVPN. A janela em branco à direita, OpenVPN Documents, serve para compartilhar arquivos. Arraste o arquivo .ovpn para a janela de Documentos OpenVPN. iTunes mostrando o perfil VPN pronto para carregar no iPhone

Agora, inicie o app OpenVPN no iPhone. Você receberá uma notificação de que um novo perfil está pronto para ser importado. Clique no sinal mais em verde para importá-lo.

O app iOS do OpenVPN mostrando o novo perfil pronto para importação Conectando-se

O OpenVPN agora está pronto para ser usado com o novo perfil. Inicie a conexão deslizando o botão Connect para a posição On. Desconecte deslizando o mesmo botão para Off.

Nota: o switch da VPN em Settings não pode ser usado para se conectar à VPN. Se tentar fazer isso, você receberá uma notificação para se conectar apenas usando o app OpenVPN.

The OpenVPN iOS app connected to the VPN

Android

Instalando

Abra a Google Play Store. Procure e instale o Android OpenVPN Connect, o aplicativo oficial do cliente Android OpenVPN.

Você pode transferir o perfil .ovpn conectando o dispositivo Android ao seu computador por USB e copiando o arquivo. Como alternativa, caso tenha um leitor de cartões SD, você pode remover o cartão SD do dispositivo, copiar o perfil nele e então inserir o cartão de volta no dispositivo Android.

Inicie o app OpenVPN e clique no menu FILE para importar o perfil.

The OpenVPN Android app profile import menu selection

Então, navegue até a localização do perfil salvo (a captura de tela usa /storage/emulated/0/openvpn) e selecione o seu arquivo .ovpn. Clique no botão IMPORT para terminar a importação deste perfil.

The OpenVPN Android app selecting VPN profile to import

Conectando-se Assim que o perfil for adicionado, você verá uma tela como esta:

O app Android do OpenVPN com o novo perfil adicionado

Para se conectar, clique no botão de alternância próximo do perfil que quiser usar. Você verá as estatísticas em tempo real da sua conexão e tráfego sendo roteado através do seu servidor OpenVPN: O app Android do OpenVPN conectado à VPN

Para desconectar-se, simplesmente clique novamente no botão de alternância no canto superior esquerdo. Você será solicitado a confirmar que deseja desconectar-se da sua VPN.

Passo 14 — Testando sua conexão VPN (opcional)

Nota: esse método para testar sua conexão VPN funcionará apenas se você optou por rotear todo o tráfego pela VPN no Passo 7, quando você editou o arquivo server.conf para o OpenVPN.

Assim que tudo estiver instalado, um simples visto confirma que tudo está funcionando corretamente. Sem ter uma conexão VPN habilitada, abra um navegador e vá para DNSLeakTest.

O site irá retornar o endereço IP atribuído pelo seu provedor de serviço de Internet e como você se mostra para o resto do mundo. Para verificar suas configurações DNS através do mesmo site, clique em Extended Test e ele dirá a você quais servidores DNS você está usando.

Agora, conecte o cliente OpenVPN ao seu VPN do Droplet e atualize o navegador. Um endereço IP completamente diferente (daquele do seu servidor VPN) deve aparecer agora e é assim que você aparece para o mundo. Novamente, o Extended Test do DNSLeakTest irá verificar suas configurações DNS e confirmar que você agora está usando os resolvers DNS definidos pelo seu VPN.

Passo 15 — Revogando certificados de clientes

De vez em quando, você pode precisar revogar um certificado de cliente para impedir o acesso adicional ao servidor OpenVPN.

Para fazer isso, siga o exemplo no tutorial pré-requisito sobre Como instalar e configurar uma autoridade de certificação no CentOS 8, na seção Revogando um certificado.

Assim que tiver revogado um certificado para um cliente usando essas instruções, você precisará copiar o arquivo crl.pem gerado para o seu servidor OpenVPN no diretório /etc/openvpn/server:

  1. sudo cp /tmp/crl.pem /etc/openvpn/server/

Em seguida, abra o arquivo de configuração do servidor OpenVPN:

  1. sudo nano /etc/openvpn/server/server.conf

No final do arquivo, adicione a opção crl-verify que irá instruir o servidor OpenVPN para verificar a lista de revogação de certificados que criamos sempre que uma tentativa de conexão for feita:

/etc/openvpn/server/server.conf
crl-verify crl.pem

Salve e feche o arquivo.

Por fim, reinicie o OpenVPN para implementar a revogação do certificado:

  1. sudo systemctl restart openvpn-server@server.service

O cliente já não deve conseguir se conectar com sucesso ao servidor usando a credencial antiga.

Para revogar outros clientes, siga este processo:

  1. Revogue o certificado com o comando ./easyrsa revoke client_name
  2. Gere um novo CRL
  3. Transfira o novo arquivo crl.pem para o seu servidor OpenVPN e copie-o para o diretório /etc/openvpn/server/ para sobrepor a lista antiga.
  4. Reinicie o serviço OpenVPN.

Você pode usar este processo para revogar quaisquer certificados que você tenha emitido anteriormente para seu servidor.

Conclusão

Agora, você deve ter uma rede virtual privada totalmente operacional em funcionamento no seu Servidor OpenVPN. Você pode navegar na Web e baixar conteúdo sem se preocupar com atores mal-intencionados rastreando sua atividade.

Há vários passos que você pode seguir para personalizar ainda mais sua instalação do OpenVPN, tal como configurar seu cliente para se conectar à VPN automaticamente ou configurar regras específicas do cliente e políticas de acesso. Para esses exemplos e outras personalizações do OpenVPN, consulte a documentação oficial do OpenVPN.

Para configurar mais clientes, você precisa seguir apenas os passos 6 e 11 a 13 para cada dispositivo adicional. Para revogar o acesso a clientes, siga o passo 15.

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